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Orgãos da CUJ : A Promessa do Desarmamento
A PROMESSA DE DESARMAMENTO E PAZ

"É para esta meta - a meta de uma Nova Ordem Mundial, divina em origem, de âmbito irrestrito, eqüitativa em seus princípios, e de características desafiadoras - que a humanidade atribulada deve dirigir seus esforços." - Dos Escritos Bahá'ís

COMUNIDADE BAHÁ'Í INTERNACIONAL

DECLARAÇÃO FEITA PARA A SESSÃO ESPECIAL DA ASSEMBLÉIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, DEDICADA AO DESARMAMENTO.

Realizada de 23 de maio a 28 de junho de 1978.
A PROMESSA DE DESARMAMENTO E PAZ

A Comunidade Bahá'í Internacional, uma organização não-governamental em grau consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, e integrante da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para as Crianças), tem o prazer de submeter as seguintes observações e excertos dos Escritos Bahá'ís, como uma contribuição para o importante trabalho da Sessão Especial, da Assembléia Geral das Nações Unidas, devotada ao Desarmamento.

No modo de ver da Comunidade Bahá'í Internacional, o desarmamento é essencial para a abolição da guerra como uma solução dos problemas humanos. É uma meta tanto dos governos como dos povos. Nós - uma raça humana independente - vivemos em um pequeno planeta, em uma era de transição entre o nacionalismo e o globalismo, na qual as necessidades de um país, e de seu povo, estão ainda colocadas acima das necessidades da humanidade como um todo.

O desarmamento completo e geral pelas nações do mundo exige que os governos e os povos conscientizem-se cada vez mais da unidade orgânica da raça humana: cada pessoa uma célula do corpo da humanidade, cada nação um agregado de células no corpo do planeta, todas vivendo de forma sadia e feliz, quando o corpo todo está bem.

O desarmamento exige também a criação de uma federação mundial, com os órgãos necessários para administrar com justiça, em nome de todos os governos e povos. A saúde, tanto do estado-nação como do mundo em um todo, no ponto de vista bahá'í, continuará a sofrer até que todos os governos concordem com o estabelecimento de tal corpo supranacional, uma instituição com o poder de controlar - e gradualmente eliminar - a desunião entre as nações.

Tal corpo mundial deve ter sob seu comando armas suficientes e forças armadas necessárias para evitar que uma nação ataque outra, ou, se isso ocorrer, para dominar o agressor; e cada nação conservará apenas o armamento suficiente para manter a ordem interna. Somente então tornar-se-á de todo impossível a eclosão de uma devastadora guerra mundial, como também limitar-se-ão prontamente as guerras menores. As nações unir-se-ão uma às outras para resolverem não somente os problemas globais de educação, alimento, emprego, etc., como também aqueles assuntos cruciais de moralidade, lei e ordem internacionais, sem o que não pode haver paz duradoura.

A Comunidade Bahá'í Internacional reconhece não existir um caminho fácil para a paz mundial, os governos nacionais certamente têm a responsabilidade de evitar a guerra, de procurar meios de unir e desarmar, buscando um acordo político - o primeiro estágio de paz mundial:

"Hoje, a tarefa que incumbe aos grandes governantes é a de estabelecer a paz, pois nisso reside a liberdade de todos os povos." (Dos Escritos Bahá'ís)

Em estágio mais avançado, é também tarefa de cada pessoa, através da conscientização de sua natureza real como serva de um Criador e membro de uma família humana, cumprir com a vontade divina de reunir todos os povos em harmonia e paz, libertando o planeta da pobreza e da guerra. Neste segundo estágio - o da verdadeira unidade e paz mundiais - o bem-estar do indivíduo e da sociedade será manifestado em uma civilização que refletirá os valores espirituais do amor, compaixão e justiça.

Há mais de um século, a Comunidade Bahá'í Internacional tem estado implementando o plano estabelecido por Bahá'u'lláh, o Profeta-Fundador da Fé Bahá'í, para a criação de uma ordem mundial baseada na justiça e na unidade de todos os povos. Representando já uma parcela significativa da humanidade, com raízes em mais de 400 países e territórios, mais de 120 mil localidades, nos cinco continentes, com pessoas vindas de mais de 1.600 origens étnicas (dados de 1981), seus membros, que são leais aos governos nacionais sob os quais vivem, procuram por meios construtivos levar a sociedade a uma conscientização mundial que é o alicerce sobre o qual será construída uma civilização mundial e alcançada a paz definitiva no planeta.

DESARMAMENTO, PAZ E A VERDADEIRA CIVILIZAÇÃO.

1. Bahá'u'lláh... escreveu a todos os reis e governantes, encorajamos, aconselhando-os com relação ao estabelecimento da paz; tornando evidentes, por provas claras e convincentes, que a felicidade e glória da humanidade somente poderiam ser asseguradas através do desarmamento e do arbítrio.

2. Através de um acordo geral, todos os governos do mundo devem desarmar-se simultaneamente. Não daria certo se um se desarmasse e outros se recusassem fazê-lo. As nações do mundo devem concorrer umas com as outras com relação a este assunto de suprema importância, de forma a que possam abandonar juntas as armas mortais de extermínio humano. Quanto mais uma nação aumenta seus orçamentos militares, outras nações são forçadas a esta insana competição, para proteger seus supostos e naturais interesses.

3. Quantos milhares de seres humanos têm deixado seus trabalhos em indústrias úteis, para trabalharem dia e noite a fim de produzirem novas armas, ainda mais mortais, que podem fazer o sangue da raça fluir mais copiosamente. Cada dia uma nova bomba é inventada, ou um novo explosivo, e então os governos se vêem obrigados a abandonar suas armas obsoletas e iniciar a produção de novas, pois as antigas não podem competir com as novas... O custo assombroso de tudo isso deve ser absorvido pelas massas indefesas.

4. As seguintes palavras de Bahá'u'lIáh são na verdade significativas quando paramos para refletir sobre o estado presente de um mundo estranhamente desordenado: "Por quanto tempo a humanidade persistirá em sua desobediência? Por quanto tempo continuará a injustiça? Até quando caos e confusão haverão de reinar entre os homens? Até quando a discórdia agitará a face da sociedade? Os ventos do desespero sopram, infelizmente, de toda a parte, e a luta que divide e aflige a raça humana aumenta dia a dia. Os sinais de convulsões iminentes e o caos podem ser agora discernidos, já que a ordem atual demonstra ser lamentavelmente defeituosa."

5. "A civilização verdadeira desfraldará seu estandarte no próprio âmago do mundo em qualquer ocasião em que certo número de seus soberanos eminentes e magnânimos - os brilhantes exemplares de devoção e determinação - se levante com resolução firme e visão clara, para o bem e a felicidade de todo o gênero humano, a fim de estabelecer a Causa da Paz Universal. Devem fazer da Causa da Paz objeto de consulta geral e tentar por todos os meios ao seu alcance estabelecer uma união das nações do mundo. Devem concluir um tratado irrevogável e estabelecer um convênio cujas provisões sejam sãs, invioláveis e bem definidas..."

6. Devem proclamá-lo ao mundo inteiro e obter para esse convênio a sanção de toda a raça humana. Esse supremo e nobre empreendimento - verdadeira fonte da paz e do bem-estar do mundo todo - deve ser considerado sagrado por todos aqueles que habitam a Terra. Todas as forças da humanidade devem ser mobilizadas para garantir a estabilidade e permanência desse Supremo Convênio. Nesse tratado tão compreensivo, os limites e fronteiras de cada nação seriam claramente fixados, os princípios que baseiam as relações dos governos entre si seriam definitivamente estabelecidos e todos os convênios e obrigações internacionais seriam averiguados. De igual modo, a quantidade dos armamentos de cada governo deve ser estritamente limitada, pois se fosse permitido que qualquer nação aumentasse seus preparativos para guerra, suas forças militares, isso incitaria suspeitas nas outras. O princípio fundamental que baseia esse pacto solene deve ser de tal modo fixado que se qualquer governo viesse a violar mais tarde uma de suas provisões, todos os governos da Terra se levantariam para reduzi-lo a completa submissão - sim, a raça humana como um todo resolveria, com todos os poderes a seu dispor, destruir esse governo. Se este, o maior de todos os remédios, for aplicado ao corpo enfermo do mundo, sanar-Ihe-á os males, e , seguramente, o fará permanecer por todo o sempre salvo e seguro."Observe que se uma situação feliz deve ocorrer, nenhum governo deve aumentar continuamente os armamentos de guerra, riem sentir-se obrigado a produzir sempre novas armas militares, para com elas conquistar a raça humana. Uma pequena força para fins de segurança interna, para a correção de elementos criminosos e fora da Lei, e para a prevenção de distúrbios locais, é justificável - não mais. Desta forma, toda a população seria, antes de mais nada, liberada do pesado fardo dos gastos que normalmente lhe é imposto, para finalidades militares, e, em segundo lugar, grande número de pessoas deixariam de devotar seu tempo para a contínua criação de novas armas de destruição testemunhos da ganância e da sanguinolência, tão inconsistentes com o dom da vida - e dedicariam, em vez disso, os seus esforços para a produção de tudo aquilo que desenvolva a existência humana, a paz e o bem-estar, e se torne a causa de progresso e prosperidade mundiais. Então cada nação na terra reinará de forma honrosa, e cada povo se desenvolverá em tranqüilidade e contentamento.

Uns poucos, desconhecendo o poder latente no esforço humano, consideram este assunto de todo impraticável, Julgam-no até além da esfera dos mais elevados esforços do homem. Tal não é o caso, porém. Ao contrário, graças à infalível ajuda de Deus, da amorosa bondade de Seus favorecidos, esforços incomparáveis de almas sábias e capazes, e dos pensamentos e idéias dos líderes inigualáveis desta era, nada pode ser considerado como inatingível.

Esforço, esforço incessante é necessário. Nada menos que uma determinação indômita pode seguramente alcançá-la. Muitas causas que em eras passadas foram consideradas como puramente visionárias, neste dia têm se tornado mais fáceis e praticáveis.

Por que deve esta Causa, tão grande e elevada - a estrela matutina do firmamento da verdadeira civilização e causa da glória, do avanço, do bem-estar e do sucesso de toda a humanidade - ser considerada como impossível de se realizar? Certamente, dia virá quando sua luz esplendorosa espargirá seus raios sobre a assembléia dos homens."

A UNIDADE DA HUMANIDADE

6. "O Tabernáculo da Unidade", Bahá'u'lIáh proclama em Sua mensagem a toda a humanidade, "foi levantado; não vos considereis uns aos outros como estranhos... De uma mesma árvore sois todos frutos, e de um mesmo ramo as folhas... O mundo é apenas um país e a humanidade seus cidadãos... Que ninguém se glorie no fato de amar seu pa ís; que se glorie, sim, de amar sua espécie."

7. Não se iludam. O princípio da Unidade do Gênero Humano em torno do qual giram todos os ensinamentos de Bahá'u'lIáh não é apenas uma exibição de emocionalismo pouco inteligente, nem a expressão de uma vaga e piedosa esperança. O seu apelo não é meramente para ser identificado com um renascimento do espírito de fraternidade e benevolência entre os homens, nem tampouco é o seu fim apenas a promoção da cooperação harmoniosa entre os diferentes povos e nações. Significa algo mais profundo, pretende algo mais do que qualquer dos profetas da Antigüidade pôde avançar. Sua mensagem não só é aplicável ao indivíduo, mas também trata primariamente da natureza daquelas relações essenciais que hão de ligar todos os estados e todas as nações como membros de uma única família humana. Este princípio não constitui a simples enunciação de um ideal; está inseparavelmente associado á uma instituição capaz de incorporar sua verdade, demonstrar sua validez e perpetuar sua influência.

Este princípio compreende uma transformação orgânica na estrutura de nossa sociedade hodierna - transformação como o mundo jamais presenciou. Constitui um desafio, a um tempo audaz e universal, aos critérios obsoletos de credos nacionais credos que já tiveram seu dia e devem, no curso usual dos acontecimentos, assim como a Providência os determina e controla, ceder seu lugar a um novo evangelho que difere fundamentalmente de qualquer conceito que já existe no mundo, e lhe é infinitamente superior. Exige nada menos que a reconstrução e a desmilitarização do inteiro mundo civilizado - um mundo organicamente unificado em todos os aspectos essenciais de sua vida - seu mecanismo político, sua aspiração espiritual, seu comércio e suas finanças, sua escrita e I íngua, e que é, no entanto, de uma diversidade infinita no que diz respeito às características de suas unidades federadas.

Este princípio representa a consumação da evolução humana uma evolução que teve seus prim6rdios no despontar da vida de família, seu desenvolvimento posterior ao alcançar a solidariedade de tribo, a qual por sua vez levou à constituição da cidade-estado, cuja expansão subseqüente resultou na instituição das nações independentes e soberanas.

O princípio da Unidade do Gênero Humano, segundo foi proclamado por Bahá'u'lIáh, abrange nem mais, nem menos que uma solene asserção de que não é apenas necessário, mas sim, inevitável vencermos a etapa terminal dessa estupenda evolução, que sua realização rapidamente se aproxima e que somente um poder oriundo de Deus conseguirá estabelecê-lo ...

"Alguma forma de superestado mundial há de ser evoluída, a cuja autoridade todas as nações do mundo cederão de boa vontade todo e qualquer direito de fazer a guerra, certos direitos de cobrar impostos, e todos os direitos de ter armamentos além do necessário para a manutenção da ordem interna nos seus respectivos domínios. Tal estado terá que incluir dentro de sua órbita um Executivo Internacional capaz de exercer autoridade suprema e inquestionável no caso de qualquer membro recalcitrante da comunidade mundial, um Parlamento Mundial cujos membros serão eleitos pelos povos de seus respectivos países, e cuja eleição será confirmada pelos respectivos governos; e um Supremo Tribunal cuja decisão será válida mesmo em casos em que os envolvidos não consintam voluntariamente um submeter seu caso à sua consideração. Uma comunidade mundial em que todas as barreiras econômicas tenham sido permanentemente demolidas, em que se haja reconhecido definitivamente a interdependência do Capital e do Trabalho; em que o clamor do fanatismo e da contenda religiosa tenha cessado para sempre; em que as chamas da animosidade da raça estejam finalmente apagadas; em que um só código de lei internacional - o produto do juízo considerado dos representantes federados do mundo - tenha como sua garantia a intervenção instantânea e coerciva das forças combinadas das unidades federais; e,' finalmente, uma comunidade mundial em que a fúria de um nacionalismo caprichoso e militante tenha sido mudada em uma compreensão duradoura das obrigações do cidadão do mundo - isto, de fato, parece ser, no seu esboço mais compreensivo, a Ordem antecipada por Bahá'u'Iláh, urna Ordem que virá a ser tida como o fruto mais belo de uma era que pouco a pouco vai amadurecendo.


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